Conta de luz da Light vai aumentar 16% para consumidores residenciais. Neste ano as contas da companhia já subiram 56%

Conta de luz da Light vai aumentar 16% para consumidores residenciais. Neste ano as contas da companhia já subiram 56%

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quinta-feira um reajuste de 15,99% para os consumidores residenciais da Light. O aumento será aplicado aos 3,7 milhões de clientes da empresa a partir deste sábado. Entre todos os consumidores da companhia, em 31 municípios do Rio, o aumento médio da tarifa será de 16,78%.

Por ter o seu reajuste definido no fim do ano, após a maior parte das distribuidoras do país, a Light acabou incorporando em sua tarifa uma variação maior do dólar desde o início de 2015, que implica custos maiores na geração de energia a partir da usina hidrelétrica de Itaipu, e do uso do gás para usinas térmicas, principalmente a Norte Fluminense, responsável por 21% da energia distribuída pela Light.

— O realinhamento das tarifas não é um privilégio da Light. Tem ocorrido com todas as distribuidoras. Há um repasse de custos todos inerentes sobretudo ao reembolso das despesas com despacho das térmicas. No nosso caso particular, tivemos impacto grande na variação do câmbio na compra de energia de Itaipu e da usina térmica Norte Fluminense — disse Paulo Roberto Pinto, presidente da companhia, após a reunião da Aneel.

Por meio de nota, a empresa explicou que “os percentuais do reajuste da Light refletem, entre outros fatores, a inflação observada nos últimos 12 meses, os efeitos da escassez hídrica sobre o custo da energia comprada, a variação dos encargos setoriais, em particular da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), e a variação cambial”. No caso da variação cambial, explicou a empresa, o principal efeito ocorre sobre as despesas da empresa com compra de energia de Itaipu, cotada em dólar, que representa 17% da energia comprada pela Light.

REAJUSTE EXTRAORDINÁRIO

Em fevereiro, assim como outras distribuidoras, a Light aplicou sobre seus consumidores um reajuste extraordinário médio de 22,48%, sendo que os consumidores residenciais tiveram suas contas de luz elevadas em 21,06%. No efeito médio, segundo a Light, somados os dois aumentos e a cobrança da bandeira tarifária em 2015, as contas da companhia já subiram 56% neste ano.

— Na verdade, houve dois movimentos de aumento neste ano — explicou José Jurhosa, diretor da Aneel que relatou o reajuste da Light.

Segundo Pinto, dos aumentos na conta da Light neste ano, a empresa vai incorporar em seu caixa apenas um reajuste de 1,9%, sendo que o restante paga o aumento de custos. Ele conta que as empresas têm tido de contar com um capital de giro maior para sobreviver no mercado.

— A expectativa é que 2016 seja um ano melhor, com um período úmido (chuvas) mais satisfatório e, naturalmente, esse acúmulo de despesas que são objeto de reembolso impactem menos a estrutura econômico-financeira das distribuidoras. O aumento agora cobriu dentro da expectativa mínima o reembolso de custos que incorremos nesse período — disse o presidente da Light.

Segundo o executivo, o aumento da tarifa ajuda a elevar a taxa de inadimplência da empresa, embora não seja o único fator a pressioná-lo, diante da situação econômica atual.

— (Comparando-se) a penalidade por atraso de pagamento da energia vis-à-vis um cartão de crédito ou a escola do filho, ficamos mais expostos por termos uma mora menor do que outros compromissos dentro do orçamento doméstico. A preocupação com inadimplência existe, sim, o aumento reforça isso, mas a tarifa de energia elétrica não é a única preocupação da Light com relação à inadimplência, mas a conjuntura como um todo — disse.

Antes de definir o reajuste nesta quinta-feira, a diretoria da agência rejeitou requerimento da própria Light para que fossem incorporados ao reajuste custos futuros para a aquisição de gás para o acionamento da usina térmica Norte Fluminense. O pedido poderia implicar um aumento 0,4% maior, na tarifa média da empresa. A procuradoria da Aneel indicou ilegalidades no pedido.

Fonte: O Globo – Economia

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